Após o sucesso de “Páginas Passadas” resolvi que o Grupo Curtura
merecia algo muito especial na comemoração dos seus cinco anos de atividades. E
a SEUNIT – Semana Universitária Tambauense – chegava à sua 25ª edição, da qual
eu era o Presidente. Então comecei a pensar em um texto para essa montagem em
comemorações tão significativas. Queria algo clássico e que representasse um
novo patamar para os integrantes da companhia.
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| Elenco de Édipo Rei. |
Em maio daquele ano de 1988, a Globo terminava de exibir “Mandala”,
novela de Dias Gomes inspirada justamente naquela que é considerada por muitos
como a peça mais perfeita de todos os tempos: “Édipo Rei”, de Sófocles. E foi justamente
o texto que escolhi para nossa nova aventura nos palcos.
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| Ensaio da peça. |
Claro que o grupo topou de cara e com a estreia de vários
novos integrantes, partimos para a missão que, mais que um novo espetáculo,
representaria o início de uma nova trajetória. A equipe técnica recebeu
reforços pela primeira vez que, por toda nossa história, seria a base criativa do
Grupo Curtura de Teatro, da Escola de Teatro e da Associação Cultural Quintal
das Artes.
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| O Coro na peça. |
Começamos os trabalhos. Para viver o protagonista a escolha óbvia
seria o João Aguiar – que acabara de arrasar em “Páginas Passadas” e sua
parceira em cena – que por um bom tempo seria também sua parceira na vida “aqui
fora” – Paulinha Furini, ganhou o icônico papel de Jocasta.
Os coadjuvantes principais foram Beto Mello como Creonte,
Paulo Barbin – que também foi o criador do cartaz da peça – como Tirésias,
Cláudio Vinicius fazendo o Pastor e Adilson Valezin interpretando o Mensageiro.
Novos e queridos amigos e amigas compuseram o Coro, verdadeiro personagem
central de qualquer obra do teatro grego.
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Paula Furini como Jocasta. |
Tanto os ensaios como a estreia ocorreram na Sociedade
Amigos de Tambaú. Os cenários eram simples para contar a história do rei que
assassinava o próprio pai e se casava com a própria mãe. O destaque, no
entanto, ficou para os objetos de cena que foram elaborados e construídos por
meu pai Mauri, o melhor cenotécnico que conheci. Em outros capítulos citarei
algumas de suas criações que tornaram possíveis meus delírios cênicos, mas em “Édipo
Rei” ele já mostrava sua genialidade de sempre, agora nos palcos.
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Frame da gravação da peça. |
A mesa mortuária de Jocasta foi toda feita por ele em
madeira. O corpo era carregado pelo coro e depois colocado em quatro pedestais
que o sustentavam para a cena final da tragédia, entre castiçais também de
madeira. Mas o toque de midas foi um broche que a rainha carregava em seu
vestido e que Édipo usava para furar os próprios olhos. Confeccionado em latão,
a pequena peça trazia em seu interior um tubinho de colírio com o “sangue” que
iria escorrer pelos olhos do soberano de Tebas. Um efeito à princípio simples que deu um resultado impressionante na cena.
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| A Esfinge do cartaz. |
Outra estreia importantíssima nesse espetáculo foi de José
Eli Costa como figurinista. Ele começou ali a desenhar tudo o que o elenco do
Curtura, da Escola de Teatro e da Quintal das Artes já usou em cena – e não
parou até hoje. Esse meu amigo se tornou – a partir de “Édipo Rei” – parte
fundamental para minhas criações no palco e na minha vida. Vencedor de vários e
vários prêmios nessa categoria, construiu uma trajetória também como Ator, que
será contada em cenas dos próximos capítulos.
No cartaz de programação da Seunit também consta outra peça
no dia seguinte em que apresentamos: “Os 4 Heróis”, com o Grupo Experimental
Arutruc. A “brincadeira” era um espetáculo infantil baseado em “Os Saltimbancos”
com parte do elenco do Grupo Curtura – e o infame nome com as letras de trás
para frente. Mas não vingou, não houve tempo para os ensaios, confirmando-se essa
“peça” como um dos indefectíveis “furos” em programações da Semana
Universitária.
Mas “Édipo Rei” aconteceu e fez história. Não preciso
escrever aqui o tamanho do sucesso que esse espetáculo atingiu. Levávamos para
uma cidade pequena, que começava a respirar os ares do teatro, uma das mais importantes
peças teatrais da história da humanidade. E isso não era pouca coisa.
Ficha Técnica de “Édipo Rei”
Direção: Paulo Rogério Rocco
Elenco: João Aguiar, Ana Paula Furini, Beto Mello, Paulo
César Barbin, Tatiana Campi, Alecsandra Sobreira de Lima, Cláudio Vinicius,
Adilson Valezin, Renaldo Mázaro Júnior, Glauco Rosa, Sara Regina Marrafon,
Sandra Regina Marrafon e Cláudia Aparecida de Oliveira.
Técnica: Carlos Henrique, Reginaldo Ferreira da Silva e
Clayton Rezende.
Objetos Cênicos: Mauri Rocco
Figurinos: José Eli Costa
Estreia: Julho de 1988 – Sociedade Amigos de Tambaú.