sábado, 4 de fevereiro de 2023

Prólogo - A Origem

Em maio de 1983 fui convidado pela Diretoria da Escola Padre Donizetti Tavares de Lima, em Tambaú - interior de São Paulo - a montar um espetáculo para ser apresentado na comemoração do Dia das Mães. Eu estava no segundo colegial e já era apaixonado pelas artes cênicas. 

Das brincadeiras de montar um circo no quintal de casa e chamar os colegas e vizinhos para assistirem às apresentações em troca de um palito de sorvete - sim, o ingresso nem era o picolé completo - talvez tenha nascido essa vontade de produzir sonhos e repartí-los com o público. 

Minha "estreia" foi aos seis anos em uma apresentação de "Os Três Porquinhos", no Jardim da Infância da Escola Antônio Dias Paschoal, também em Tambaú. Eu e mais três ou cinco colegas, com uma espécie de capa feita de papelão e coberta de palha, juntávamos nossas mãos em um círculo para representar a segunda casinha a ser derrubada pelo sopro do Lobo Mau. A professora, Maria Aparecida Rizatti, foi minha primeira diretora de cena e depois - por toda a vida e até nos dias de hoje - uma referência no ofício de ensinar crianças, jovens e adultos; em qualquer área, sempre valorizando a arte. 

Depois desse clássico da literatura infantil até a peça comemorativa citada lá em cima, tenho um hiato de memórias de palco. Talvez um relance de lembrança de uma encenação de algo baseado em "Morte e Vida Severina", também realizada na escola. 

Mas o assunto aqui é o começo do Grupo Curtura de Teatro, grafado assim mesmo, com a grafia "acaipirando" a palavra com o sotaque interiorano. O nome causou polêmica na época, principalmente entre os professores de língua portuguesa, mas minha intenção - aquariano que sou - já era justamente provocar e criticar o pouco espaço que a cultura e o teatro ocupavam na cidade. 

A honrosa exceção era a programação anual da Semana Universitária Tambauense, tradicional evento surgido cerca de 20 anos antes e que mudou a cena cultural, artística e social da região. E que terá um capítulo mais à frente. 

E chegou a data da encenação. Foi o primeiro texto que escrevi para teatro e tinha o otimista - e até utópico título - "É Tão Fácil Ser Feliz". O elenco que será descrito em tópico sobre a peça, eram colegas da escola, de variadas séries, que tinham em comum o gosto pela arte. Ou a simples curiosidade de estar diante do público. Ou ainda uma amizade tão grande pelo diretor do espetáculo que valia "pagar o mico". Mas o importante é que foi um sucesso. 

Sob orientação de outro incentivador desse meu início, o professor de Educação Artística Dirceu Barbin (falecido em 2021), estreamos para os amigos da escola, para os professores, para os pais e outras dezenas de pessoas "estranhas", todas ouvindo meu texto, conhecendo meus personagens e - nunca me esqueço da sensação - aplaudindo muito ao final. Descobri ali aquilo que chamam de "Público". 

É isso. Essa é nossa trajetória até aqui. Não há nenhum pretensão de extrapolar aquilo que o Curtura sempre foi: um Grupo de Teatro nascido no interior do Estado, que deu origem à uma Escola de Teatro gratuita - por onde já passaram mais de 700 alunos - e de onde nasceu uma Associação Cultural, hoje reconhecida como Ponto de Cultura pelo Governo Federal. 

A gente só quer contar essa nossa história, lembrar os espetáculos que realizamos e registrar alguns nomes de atores e atrizes que pisaram essas tábuas mágicas do palco, todos com muito pó de nuvem nos sapatos. 

Bem vindo. 

Paulo Rocco

Um comentário:

  1. Parabéns amigo querido, linda trajetória ! Fico honrada em compartilhar a Arte com você!!

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