Em maio de 1983 fui convidado pela Diretoria da Escola Padre Donizetti Tavares
de Lima, em Tambaú - interior de São Paulo - a montar um espetáculo para ser
apresentado na comemoração do Dia das Mães. Eu estava no segundo colegial e já
era apaixonado pelas artes cênicas.
Das brincadeiras de montar um circo no
quintal de casa e chamar os colegas e vizinhos para assistirem às apresentações
em troca de um palito de sorvete - sim, o ingresso nem era o picolé completo - talvez tenha
nascido essa vontade de produzir sonhos e repartí-los com o público.
Minha
"estreia" foi aos seis anos em uma apresentação de "Os Três Porquinhos", no
Jardim da Infância da Escola Antônio Dias Paschoal, também em Tambaú. Eu e mais
três ou cinco colegas, com uma espécie de capa feita de papelão e coberta de palha, juntávamos nossas mãos
em um círculo para representar a segunda casinha a ser derrubada pelo sopro do
Lobo Mau. A professora, Maria Aparecida Rizatti, foi minha primeira diretora de cena e
depois - por toda a vida e até nos dias de hoje - uma referência no ofício de
ensinar crianças, jovens e adultos; em qualquer área, sempre valorizando a arte.
Depois desse clássico da literatura infantil até a peça comemorativa citada lá
em cima, tenho um hiato de memórias de palco. Talvez um relance de lembrança de
uma encenação de algo baseado em "Morte e Vida Severina", também realizada na
escola.
Mas o assunto aqui é o começo do Grupo Curtura de Teatro, grafado assim
mesmo, com a grafia "acaipirando" a palavra com o sotaque interiorano. O nome
causou polêmica na época, principalmente entre os professores de língua
portuguesa, mas minha intenção - aquariano que sou - já era justamente provocar
e criticar o pouco espaço que a cultura e o teatro ocupavam na cidade.
A honrosa exceção era a programação anual da Semana Universitária Tambauense,
tradicional evento surgido cerca de 20 anos antes e que mudou a cena cultural,
artística e social da região. E que terá um capítulo mais à frente.
E chegou a data da encenação. Foi o primeiro texto
que escrevi para teatro e tinha o otimista - e até utópico título - "É Tão Fácil
Ser Feliz". O elenco que será descrito em tópico sobre a peça, eram colegas da
escola, de variadas séries, que tinham em comum o gosto pela arte. Ou a simples
curiosidade de estar diante do público. Ou ainda uma amizade tão grande pelo
diretor do espetáculo que valia "pagar o mico". Mas o importante é que foi um sucesso.
Sob
orientação de outro incentivador desse meu início, o professor de Educação
Artística Dirceu Barbin (falecido em 2021), estreamos para os amigos da escola,
para os professores, para os pais e outras dezenas de pessoas "estranhas", todas
ouvindo meu texto, conhecendo meus personagens e - nunca me esqueço da sensação
- aplaudindo muito ao final. Descobri ali aquilo que chamam de "Público".
É isso.
Essa é nossa trajetória até aqui. Não há nenhum pretensão de extrapolar aquilo
que o Curtura sempre foi: um Grupo de Teatro nascido no interior do Estado, que
deu origem à uma Escola de Teatro gratuita - por onde já passaram mais de 700
alunos - e de onde nasceu uma Associação Cultural, hoje reconhecida como Ponto
de Cultura pelo Governo Federal.
A gente só quer contar essa nossa história,
lembrar os espetáculos que realizamos e registrar alguns nomes de atores e atrizes que pisaram essas
tábuas mágicas do palco, todos com muito pó de nuvem nos sapatos.
Bem vindo.
Paulo Rocco

Parabéns amigo querido, linda trajetória ! Fico honrada em compartilhar a Arte com você!!
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