sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Capítulo 5 – O Espetáculo Não Pode Parar

De volta à escola. Na verdade ainda não tínhamos saído dela. Em 1984 foi meu último ano de colégio. E para comemorar o primeiro aniversário do Grupo Curtura, voltamos ao local onde iniciamos nossa jornada com outro espetáculo sobre o Dia das Mães, à convite da diretoria.

Apresentação no pátio
do colégio.
Com o premonitório título “O Espetáculo Não Pode Parar” lotamos o pátio do Colégio Estadual Padre Donizetti para contar a história de Aline, uma garota cega que sonhava em ser bailarina.

Uma das minhas melhores amigas até hoje, Flávia Regina – brilhante advogada - estreou nos palcos dando vida à protagonista, uma menina doce que sofria os mais variados preconceitos e a descrença de familiares a amigos em sua arte.

Nosso elenco nessa
peça. 
O primeiro da esquerda na foto com o elenco é meu irmão, Carlos Henrique, que ajudou nos bastidores e ao lado dele o Paulo, um seminarista colega do Carlos Saggio, diretor do espetáculo anterior. No centro o João Reginaldo, do qual não tive mais notícia e com a bengala esse que aqui digita. As meninas, da esquerda para a direita: Flávia, Teresa e Célia. 

Gosto muito do texto até hoje e vejo nele elementos dramáticos que iria trazer para minha dramaturgia anos depois. Uma trilha sonora que vinha com algumas lágrimas discretas e pronto: todo mundo emocionado e o Grupo Curtura conquistando de vez o coração dos amigos da escola, dos professores e da plateia em geral, após um ano e cinco montagens em sua ainda breve existência.

O cartaz foi feito à mão - somente um - que foi colocado no mural da escola. O desenho, se não estou enganado, foi feito por uma colega de classe, a Ângela Neves. 

Como disse no capítulo anterior, foi a última vez que nos apresentamos na escola que viu nossa origem. Em 1985 outro passo seria dado. Eu entrava para a faculdade e o Curtura começava uma trajetória um pouco mais séria do ponto de vista artístico.

 

Ficha Técnica de “O Espetáculo Não Pode Parar”

Direção e Dramaturgia: Paulo Rogério Rocco.

Elenco: Paulo Rogério, Flávia Regina Ribeiro da Silva, João Reginaldo, Paulo Seminarista, Regina Célia da Silva e Teresa Cristina Santana.

Estreia: Maio de 1984 – Escola Padre Donizetti Tavares de Lima – Tambaú.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Capítulo 4 – Não Mate o Lírio do Campo

Esse espetáculo foi montado em apenas um mês, com praticamente o mesmo elenco da peça anterior e algumas estreias. Carlos Saggio, hoje Padre Carlos, após o sucesso de “O Jovem de Assis”, propôs a montagem de um texto seu: “Não Mate o Lírio do Campo”.

A história era sobre um jovem ambicioso, no interior do Estado de São Paulo, que destruía a própria família para atingir seus objetivos. E, claro, as consequências disso tudo.

Aguinaldo, Célia e Teresa

O tempo recorde de ensaios não impediu do espetáculo se tornar um sucesso de público e marcar um passo importante para nosso grupo criado dentro de uma escola: pela primeira vez apresentaríamos em um palco fora dali, na sede social de um dos clubes de futebol da cidade.

E assim, em dezembro de 1983, ainda no ano de criação do Grupo Curtura, “Não Mate o Lírio do Campo” era apresentado para um grande público no palco do Esporte Clube Operário. 

No cenário apenas uma mesa, uma cadeira e uma pintura na cortina de fundo. Mas aquilo para a gente era como se fosse o Municipal de uma grande cidade. E um detalhe: foi nosso primeiro espetáculo com registro fotográfico, como pode observar aqui. 

Aguinaldo, Célia e Paulo Rogério

Aqueles atores e atrizes amadores, começando seus primeiros passos em uma área até então desconhecida, viveriam mais uma vez a glória dos aplausos e os cumprimentos emocionados ao final da apresentação.

Carlos Saggio também dirigiu a peça. Em alguns documentos da época diz que fui colaborador no texto, mas acho que isso foi mais uma demonstração da gentileza desse meu amigo do que um fato da minha história como dramaturgo. Ele veio com a ideia e o texto prontos e nosso Grupo Curtura se encarregou dar vida àqueles personagens.

Foi nossa primeira peça a ter um cartaz de divulgação. Impresso em tipografia - sistema de impressão em que as frases eram montadas letra por letra - ele tinha dois patrocínios de duas empresas que não mais existem, mas entendiam perfeitamente a importância de se investir em cultura. 

Essa imagem ao lado traz um desenho feito à lápis em um canto do cartaz. Eu fiz isso somente neste cartaz, que ficou colado para divulgação na Auto Peças da nossa família, pertencente ao meu avô Paulo, que veio a falecer no mês seguinte. 

A próxima montagem iria nos levar de volta ao pátio da escola onde começamos. Pela última vez.

 

Ficha Técnica de “Não Mate o Lírio do Campo”

Direção e Dramaturgia: Carlos Virgílio Saggio.

Elenco: Paulo Rogério Rocco, Aguinaldo Costa, João Reginaldo, Pedro Gaspar, Regina Célia da Silva, Teresa Cristina Santana, Marco Aurélio Salotti e Sônia Vizotto.

Estreia: Dezembro de 1983 – Sede do E. C. Operário - Tambaú. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Capítulo 3 – O Jovem de Assis

Apenas dois meses depois da comédia escrachada que apresentamos – “O Fruto Proibido” – fui procurado por dois estudantes do seminário que funcionava no subsolo do Lar São Vicente, em Tambaú. Eles gostaram da apresentação do grupo e nos convidaram para um trabalho conjunto: a montagem de um texto onde seria contada a vida de Giovanni di Pietro di Bernardone ou São Francisco de Assis.

Jaeme César Lacerda, pelo que me consta autor do texto “O Jovem de Assis” (apesar de que na cópia que tenho – mimeografada – aparecer o nome de Raimundo “Ray” Nonato, que deve ter digitado o roteiro), também dirigiria a peça. Carlos Virgílio Saggio, o outro seminarista, atuaria conosco.

Um adendo: Mimeógrafo era um aparelho utilizado nas escolas para se reproduzir cópias de um texto (quase um xerox). O que seria multiplicado era datilografado, nas máquinas de escrever obviamente, em um estêncil, que era uma folha parecida com carbono. Esse papel especial era colocado no aparelho abastecido com álcool e, conforme girava-se a manivela, as cópias iam saindo, todas com um cheiro peculiar que hoje remete aos tempos de colégio.

Um adendo do adendo: alguns alunos mais espertos invadiam a sala dos professores para pegar, no lixo, as cópias das provas escolares que ficavam gravadas no estêncil descartado e assim pesquisar as respostas.

Mas voltando ao assunto deste capítulo: ao elenco da peça anterior foram agregados novos atores e eu fui escolhido para ser Francisco, o que me trouxe uma alegria imensa, sobretudo ao declamar a indefectível oração final – que penso ser uma das mais belas da história do catolicismo. Também foi o papel onde me despi pela primeira – e acho que única vez – no teatro.

Aliás, a cena onde Francisco joga suas vestes aos pés do pai é uma das que mais tenho nas lembranças de palco até hoje.

A apresentação, a exemplo das anteriores, também aconteceu no palco do Salão Nobre da Escola Padre Donizetti e, como já havia comentado no capítulo anterior, foi muito aplaudida pela imensa maioria católica que formava a cidade naquela época.

A história de São Francisco, o jovem de Assis, é mesmo repleta de poesia, beleza e aquela dose dramática suficiente para arrancar lágrimas. Uma música clássica ao fundo – repare na reprodução do texto que há a marcação de “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach – e pronto: o espectador está entregue à sua apresentação.

Sucesso absoluto – agora sim, já éramos reconhecidos como “aqueles doidos que faziam teatro” – e com um grupo unido e sempre recebendo novos talentos, apenas um mês depois estávamos em outra empreitada, desta vez escrita e dirigida pelo Carlos Saggio – ainda hoje meu grande amigo - que atualmente é padre, cantor, compositor e pároco no distrito de Milagres, no Estado de Minas Gerais. 


Ficha Técnica - “O Jovem de Assis”

Direção: Jaeme Cesar Lacerda.

Elenco: Paulo Rogério, Aguinaldo Costa, Carlos Henrique, Evelyn Steter, Pedro Gaspar, Regina Célia, Teresa Cristina e Carlos Ságio.

Estreia: Novembro de 1983 – Salão Nobre da Escola Padre Donizetti Tavares de Lima – Tambaú.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Capítulo 2 – O Fruto Proibido

O segundo espetáculo do Grupo Curtura de Teatro também não deixou registros audiovisuais, o que é uma pena, já que me recordo claramente dos figurinos escalafobéticos – pra usar uma palavra bem em moda na época – que utilizamos para os personagens dessa comédia maluca que só queria fazer o público rir.

Mas antes de chegar ao assunto do capítulo, propriamente dito, quero citar um grande espetáculo que não fizemos em nossa história. Há alguns anos, o professor Dirceu Barbin – já citado no prólogo – entregou-me uma página que ele guardou por muito tempo, mais precisamente por cerca de 40 anos. Trata-se de um trabalho da aula de Educação Artística onde deveríamos – penso eu – montar uma sinopse, um elenco e uma ficha técnica do que viria a ser uma peça teatral, ensinando-nos ali o processo inicial de uma produção.

A página que reproduzo aqui traz justamente esses detalhes do que poderia ter vindo a ser uma montagem: “Zero Vírgula contra a Ameaça dos Androides”. Obviamente “Blade Runner” havia acabado de estrear nos cinemas e fã que fui, desde o primeiro momento, tratei de colocar logo os tais homens-máquinas em um texto. 

O quadro técnico traz toda nossa equipe, amigas e amigos tão queridos até hoje, meu irmão Carlos Henrique ali no meio e a Teresa Cristina – hoje conceituada Juíza de Direito – que aparece como possível coautora do texto (que nunca viria a ser escrito). A sinopse mistura claramente Sherlock Holmes, James Bond e os temíveis vilões do filme de Ridley Scott.

Para fechar o assunto, o papel datilografado traz a assinatura do mestre Dirceu Barbin, de setembro de 1983, aprovando o nosso trabalho sobre a montagem que jamais chegaria aos palcos, mas que serviu para unir o Grupo na próxima empreitada.

Assim, no mesmo mês deste trabalho teórico, chegaria ao palco do Salão Nobre da Escola Padre Donizetti, em Tambaú, a peça “O Fruto Proibido”, cuja primeira página pode ser vista em reprodução. 

A sinopse dizia que um fruto alterava a personalidade de todas as pessoas de uma família em férias. E o texto nada mais era do que uma sucessão de piadas sobre esse povo passando as férias em uma cabana isolada que tinha a tal planta em um vaso no meio da sala, com instruções claras que não deveria ser comido.

Assim sendo, desde os primórdios da humanidade segundo a Bíblia, o que é proibido é a primeira coisa a atrair o ser humano. Os personagens comiam o fruto e tinham desde a índole alterada bruscamente até o simples “sair do armário” e revelar suas preferências, escancarando a natureza de cada um. 

Nada demais, mas naquele ano que antecedeu os últimos meses da famigerada ditadura militar, claro que recebemos algumas críticas por mostrar uma família em cena que não era tão perfeita de acordo com os preceitos ditados pela matéria “educação moral e cívica”, que fazia parte da grade curricular.     

E claro, também, que não demos a mínima moral para esse povo chato e continuamos a nos divertir em cena, sem imaginar que essas mesmas pessoas que riram muito do nosso “Fruto Proibido” antes de criticá-lo, viriam nos aplaudir efusivamente no próximo espetáculo.


Ficha Técnica - O Fruto Proibido

Texto e Direção: Paulo Rogério Rocco.

Elenco: Paulo Rogério Rocco, Carlos Henrique Rocco, Teresa Cristina Cabral Santana, Regina Célia da Silva, Alexandre Dutra, Adauto Ricardo Sobreira de Lima e João Reginaldo Leme.         

Estreia: Setembro de 1983 – Salão Nobre da Escola Padre Donizetti Tavares de Lima – Tambaú.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Capítulo 1 - É Tão Fácil Ser Feliz

Como descrito no prólogo, a primeira peça do então recém-formado Grupo Curtura de Teatro recebeu o título de "É Tão Fácil Ser Feliz". Estreou em Maio de 1983, no Salão Nobre da Escola Estadual Padre Donizetti Tavares de Lima, em Tambaú - SP. 

Foi meu primeiro texto para teatro, escrito em uma máquina de escrever Groma Kolibri alemã, que pertenceu ao meu avô, também chamado Paulo Rocco. Várias das minhas dramaturgias subsequentes também saíram das teclas marrons da pequena engenhoca que, para mim, era uma das coisas mais maravilhosas já criadas. 

Era o meio que eu tinha para registrar mais rapidamente, minha imaginação nas folhas em branco. E sempre fui muito rápido para datilografar. Meu diploma da Escola de Datilografia Humaitá registra minha prova final com 190 toques ou 38 palavras por minuto. Acho que isso era uma boa média. 

Deixo aqui a foto da histórica máquina que ainda comigo, aposentada a observar meus novos textos, digitados agora em teclados e computadores avançados, com a mesma agilidade daquela prova realizada em junho de 1982. 

Pois bem, da fita com tinta preta que passava de uma bobina para outra surgiu a história de um grupo de jovens que queriam homenagear a mãe de um deles com uma composição inédita. 

Claro que se tratando de uma história que precisava da atenção do público - que pela primeira vez não eram meus colegas de sala de aula, como já disse - eu coloquei algumas coisas mirabolantes, como um bandido que entrava para assaltar e acabava sequestrando a homenageada, dando margem para um pouquinho de melodrama em meio a piadas que hoje me parecem tão ingênuas - mas algumas, surpreendentemente, ainda funcionam dramaticamente, conforme conferi no texto guardado.

Por falar nisso, esse texto - cuja imagem da primeira página é reproduzida ao lado - é a única "prova" de que esse espetáculo existiu. As fotografias eram caras na época e filmar com Super 8, por exemplo, eram algo bem raro. Atente para a indicação da música "Lady Laura", do Roberto, no início que, apesar de óbvia, deve ter funcionado bem para introduzir a história.  

Não há nenhum registro dessa nossa estreia, a não ser num canto carinhoso da memória de cada um que esteve naquele palco. Talentosos amigos que, se não seguiram carreira nas artes cênicas, tornaram-se profissionais exemplares, cada um em sua área de atuação. 


Ficha Técnica - "É Tão Fácil Ser Feliz"

Texto e Direção: Paulo Rocco.

Elenco: Paulo Rogério Rocco, Carlos Henrique Bolognesi Rocco, Teresa Cristina Cabral Santana, Regina Célia da Silva, Alexandre Dutra, Adauto Ricardo Sobreira de Lima e João Reginaldo Leme. 

Estreia: Maio de 1983 – Salão Nobre da Escola Padre Donizetti Tavares de Lima – Tambaú.


sábado, 4 de fevereiro de 2023

Prólogo - A Origem

Em maio de 1983 fui convidado pela Diretoria da Escola Padre Donizetti Tavares de Lima, em Tambaú - interior de São Paulo - a montar um espetáculo para ser apresentado na comemoração do Dia das Mães. Eu estava no segundo colegial e já era apaixonado pelas artes cênicas. 

Das brincadeiras de montar um circo no quintal de casa e chamar os colegas e vizinhos para assistirem às apresentações em troca de um palito de sorvete - sim, o ingresso nem era o picolé completo - talvez tenha nascido essa vontade de produzir sonhos e repartí-los com o público. 

Minha "estreia" foi aos seis anos em uma apresentação de "Os Três Porquinhos", no Jardim da Infância da Escola Antônio Dias Paschoal, também em Tambaú. Eu e mais três ou cinco colegas, com uma espécie de capa feita de papelão e coberta de palha, juntávamos nossas mãos em um círculo para representar a segunda casinha a ser derrubada pelo sopro do Lobo Mau. A professora, Maria Aparecida Rizatti, foi minha primeira diretora de cena e depois - por toda a vida e até nos dias de hoje - uma referência no ofício de ensinar crianças, jovens e adultos; em qualquer área, sempre valorizando a arte. 

Depois desse clássico da literatura infantil até a peça comemorativa citada lá em cima, tenho um hiato de memórias de palco. Talvez um relance de lembrança de uma encenação de algo baseado em "Morte e Vida Severina", também realizada na escola. 

Mas o assunto aqui é o começo do Grupo Curtura de Teatro, grafado assim mesmo, com a grafia "acaipirando" a palavra com o sotaque interiorano. O nome causou polêmica na época, principalmente entre os professores de língua portuguesa, mas minha intenção - aquariano que sou - já era justamente provocar e criticar o pouco espaço que a cultura e o teatro ocupavam na cidade. 

A honrosa exceção era a programação anual da Semana Universitária Tambauense, tradicional evento surgido cerca de 20 anos antes e que mudou a cena cultural, artística e social da região. E que terá um capítulo mais à frente. 

E chegou a data da encenação. Foi o primeiro texto que escrevi para teatro e tinha o otimista - e até utópico título - "É Tão Fácil Ser Feliz". O elenco que será descrito em tópico sobre a peça, eram colegas da escola, de variadas séries, que tinham em comum o gosto pela arte. Ou a simples curiosidade de estar diante do público. Ou ainda uma amizade tão grande pelo diretor do espetáculo que valia "pagar o mico". Mas o importante é que foi um sucesso. 

Sob orientação de outro incentivador desse meu início, o professor de Educação Artística Dirceu Barbin (falecido em 2021), estreamos para os amigos da escola, para os professores, para os pais e outras dezenas de pessoas "estranhas", todas ouvindo meu texto, conhecendo meus personagens e - nunca me esqueço da sensação - aplaudindo muito ao final. Descobri ali aquilo que chamam de "Público". 

É isso. Essa é nossa trajetória até aqui. Não há nenhum pretensão de extrapolar aquilo que o Curtura sempre foi: um Grupo de Teatro nascido no interior do Estado, que deu origem à uma Escola de Teatro gratuita - por onde já passaram mais de 700 alunos - e de onde nasceu uma Associação Cultural, hoje reconhecida como Ponto de Cultura pelo Governo Federal. 

A gente só quer contar essa nossa história, lembrar os espetáculos que realizamos e registrar alguns nomes de atores e atrizes que pisaram essas tábuas mágicas do palco, todos com muito pó de nuvem nos sapatos. 

Bem vindo. 

Paulo Rocco