Apenas dois meses depois da comédia escrachada que apresentamos – “O Fruto Proibido” – fui procurado por dois estudantes do seminário que funcionava no subsolo do Lar São Vicente, em Tambaú. Eles gostaram da apresentação do grupo e nos convidaram para um trabalho conjunto: a montagem de um texto onde seria contada a vida de Giovanni di Pietro di Bernardone ou São Francisco de Assis.
Um adendo: Mimeógrafo era um aparelho utilizado nas escolas
para se reproduzir cópias de um texto (quase um xerox). O que seria
multiplicado era datilografado, nas máquinas de escrever obviamente, em um estêncil,
que era uma folha parecida com carbono. Esse papel especial era colocado no
aparelho abastecido com álcool e, conforme girava-se a manivela, as cópias iam
saindo, todas com um cheiro peculiar que hoje remete aos tempos de colégio.
Um adendo do adendo: alguns alunos mais espertos invadiam a
sala dos professores para pegar, no lixo, as cópias das provas escolares que
ficavam gravadas no estêncil descartado e assim pesquisar as respostas.
Mas voltando ao assunto deste capítulo: ao elenco da peça
anterior foram agregados novos atores e eu fui escolhido para ser Francisco, o que
me trouxe uma alegria imensa, sobretudo ao declamar a indefectível oração final
– que penso ser uma das mais belas da história do catolicismo. Também foi o
papel onde me despi pela primeira – e acho que única vez – no teatro.
Aliás, a cena onde Francisco joga suas vestes aos pés do pai
é uma das que mais tenho nas lembranças de palco até hoje.
A apresentação, a exemplo das anteriores, também aconteceu
no palco do Salão Nobre da Escola Padre Donizetti e, como já havia comentado no
capítulo anterior, foi muito aplaudida pela imensa maioria católica que formava
a cidade naquela época.
A história de São Francisco, o jovem de Assis, é mesmo
repleta de poesia, beleza e aquela dose dramática suficiente para arrancar
lágrimas. Uma música clássica ao fundo – repare na reprodução do texto que há a
marcação de “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach – e pronto: o espectador está
entregue à sua apresentação.
Ficha Técnica - “O Jovem de Assis”
Direção: Jaeme Cesar Lacerda.
Elenco: Paulo Rogério, Aguinaldo Costa, Carlos Henrique, Evelyn Steter, Pedro Gaspar, Regina Célia, Teresa Cristina e Carlos Ságio.
Estreia: Novembro de 1983 – Salão Nobre da Escola Padre Donizetti Tavares de Lima – Tambaú.

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