Quando falei no capítulo anterior que 1985 tinha sido
especial para nosso ainda recém-formado grupo, não exagerei. A estreia na
Semana Universitária Tambauense veio em dobro, com o sucesso “Viva a República”
(assunto do capítulo anterior) e a nossa primeira montagem para o público
infantil: “Pluft, O Fantasminha”, a clássica obra de Maria Clara Machado.
O elenco quase que se repetia nas duas produções, o que demonstrava
nossa vontade enorme de fazer acontecer. O presidente do Clube Universitário – então
promotor da Seunit – naquele ano era Jefferson Rossi Prado. E foi justamente o
Jefão que deu a chance para o teatro iniciante de Tambaú fazer parte daquele evento.
E fizemos história.
“Pluft” dispensa sinopse. Que não viveu em Marte desde 1955,
sabe de cor a história do fantasminha que morre de medo de gente e se aventura
contra os piratas para salvar sua amiga Maribel. O papel-título ficou para meu
irmão Carlos Henrique, que estreou em Semana Universitária antes da gente, em
uma montagem de “Judas em Sábado de Aleluia”, do extinto grupo TAT – Teatro Amador
Tambauense.
Maribel foi docemente vivida por Flávia Regina; Silvana
Furtado fez a mãe de Pluft com seus adoráveis pasteis de vento e este que aqui,
humildemente escreve, interpretou um dos papeis mais legais do teatro infantil
brasileiro: o temido Capitão Perna-de-Pau. Jaime da Silva, meu parceiro de cena
em “Viva e República”, deu vida (!) ao Tio Gerúndio, dentro do seu indefectível
baú.
E para completar a aventura que divertiu centenas e centenas
de crianças na Sociedade Amigos de Tambaú, os três marinheiros amigos de
Maribel foram interpretados por Cláudio Rezende, Donizetti Zampolo e João Edson
Aguiar; que viveria em um próximo capítulo, um dos textos mais lembrados
pelo nosso público nesse início de caminhada.
Como eu estava dirigindo o espetáculo adulto, ganhamos uma
Diretora talentosa para comandar a montagem de “Pluft”: minha amiga Rosângela
Cunha, que também já tinha feito parte do Grupo TAT. E na foto do ensaio,
publicada nesse texto, ainda aparece o José Ruy Amâncio (de capacete), que foi uma espécie de
“consultor” da montagem. Zé Ruy já havia sido o Pluft em uma montagem feita na
cidade, ao lado do Jefão, que tinha vivido (!) o tio do Pluft.
Depois dessa nossa aventura pelo teatro imortal de uma das
maiores dramaturgas brasileiras, “Pluft, o Fantasminha” seria montado outras
duas vezes pela Escola Municipal de Teatro de Tambaú, que eu também viria a dirigir. Mais
isso é assunto para alguns capítulos adiante.
Ficha Técnica de “Pluft, o Fantasminha”.
Direção: Rosângela Amélia Cunha
Elenco: Paulo Rogério, Carlos Henrique, Flávia Regina, Jaime
da Silva, Silvana Furtado, Cláudio Vinicius Figueiredo Rezende, Donizetti
Zampolo e João Edson Aguiar.
Estreia: Julho de 1985 – Sociedade Amigos de Tambaú.
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