quarta-feira, 17 de maio de 2023

Capítulo 9 - Páginas Passadas

Mais um ano de intervalo entre as montagens significava que o trabalho do Grupo Curtura estava ficando “sério”, com textos mais elaborados e o início do aprofundamento de estudos de técnicas teatrais. Eu já sabia o que queria fazer da vida profissional, mesmo que estivesse cursando a faculdade de Publicidade e Propaganda. E era Teatro.

João Edson 
Mais uma Semana Universitária Tambauense – a 24ª edição – e lá estávamos nós com nossa quarta montagem sendo apresentada no importante evento cultural. Eu tinha acabado de escrever um texto – meu primeiro drama – sobre um escritor que sofria de uma doença incurável e queria deixar para o mundo uma obra literária com as “respostas” para todos os problemas da vida. A personagem principal, Jean Fellipe, foi inspirada no físico Stephen Hawking.

Texto de
"Páginas Passadas". 
Jean começa sua história na peça “Páginas Passadas” em setembro de 1939, quando explode a segunda Guerra Mundial e passa por diversos eventos dramáticos – do mundo e de sua família – para questionar e procurar as “soluções” que iria deixar para a humanidade. 

Ali eu percebi o quanto era mais “fácil” do ponto de vista dramatúrgico, emocionar e fazer o público chorar do que diverti-lo com comédia. E foi quando também ganhei um importante toque da minha querida professora de redação da faculdade, Sandra Maria Campos, ao terminar de ler meu texto: “Sempre coloque, nem que for um pouco, de humor em suas dramaturgias. O equilíbrio é importante”.

Esse espetáculo foi inclusive apresentado no Teatro Bassano Vaccarini, na Universidade de Ribeirão Preto, naquele mesmo ano. Foi a primeira vez que o Curtura saiu em viagem.

Cartaz impresso 
em silk screen.
O protagonista foi interpretado por João Aguiar e muitos atores e atrizes estrearam no Curtura naquela montagem, inclusive meu irmão mais novo, o André. Um dos que começaram ali também foi Rogério Cunha, que interpretava um Espírito que visitava Jean, sendo sua consciência e guia nos momentos cruciais de sua história. Rogério – que logo depois se formou em odontologia e é meu dentista até hoje – atuava na frente de uma luz estroboscopica, montada pelo meu pai, que produzia efeitos fantasmagóricos em cena, com a ajuda da máquina de fumaça.  

Pela primeira vez também tínhamos um equipamento de iluminação melhor à nossa disposição, precário, mas acima dos refletores – ou holofotes para ser mais claro – que vínhamos utilizando até então. Tínhamos também operadores de luz para isso e operador de som para a belíssima trilha sonora que se iniciava com “She” de Charles Aznavour, ilustrando a origem francesa de Jean Fellipe.

“Páginas Passadas” também foi nosso primeiro espetáculo filmado. O registro em fita VHS foi realizado pelo meu tio Sebastião Menegatto, o Menega, um dos primeiros apaixonados por câmeras e filmagens que conheci. A foto de João Aguiar que ilustra esse capítulo foi extraída dessa filmagem. Não temos outros registros desta montagem.

Muitas pessoas que acompanharam nossa trajetória ainda se lembram com carinho desse espetáculo que teve interpretações memoráveis e marcou um próximo passo no caminho do Curtura.

Passo que viria a ser ultrapassado já no ano seguinte pela ousada montagem de uma das peças teatrais mais importantes da história da humanidade. 


Ficha Técnica de “Páginas Passadas” 

Elenco: João Aguiar, Wilson Rogério da Cunha, Adilson Valezin, Andréa Ferrari, Ana Paula Furini Alves, Beto Mello, Tatiana Campi, Luciana Bernini Menegatto, Silvio “Cachoeira”, André Luis Bolognesi Rocco, Cláudio Vinicius e Érica Carrara.

Maquiagem: Renata Generoso Corrêa e Lucieni Maria Cabral Santana.

Sonoplastia: Carlos Henrique.

Iluminação: Clayton José Figueiredo Rezende.

Assistente de Direção: Jaime da Silva.

Estreia: Julho de 1987 – Sociedade Amigos de Tambaú.

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